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Inadimplência recorde nos EUA, Japão e Alemanha afetará países emergentes, alerta especialista americano

22/11/2002

A taxa de inadimplência recorde este ano em países como Alemanha, Japão,
Estados Unidos e China vai afetar os países emergentes. A informação foi
divulgada pelo professor Edward Altman, indicado ao Prêmio Nobel de Economia em
2000, no 5º Fórum Internacional de Crédito Serasa, promovido pela Serasa e pela
Fundação Getulio Vargas. O evento reuniu ontem, na FGV, professores e
especialistas brasileiros e estrangeiros em palestras e debates sobre a
situação do crédito no mundo.

De acordo com Edward Altman, professor Max L. Heine de Finanças e
Vice-Diretor do Salomon Center da Stern da Universidade de New York e expert em
análise de risco de crédito, o mercado financeiro desses países está passando
por uma fase delicada devido às altas taxas de inadimplência. Na China, por
exemplo, quase 50% dos financiamentos estão inadimplentes. Altman afirmou que
isto pode trazer consequências negativas aos países emergentes, pois os bancos
estão reavaliando seus empréstimos e evitando conceder novos recursos, já que
precisam de lastro financeiro para eventuais quebras. “Eles acabam confiando
seus empréstimos aos países desenvolvidos, justamente onde enfrentam a crise de
inadimplência”, disse.

Para Edward Altman, presidente Internacional do Fórum, a Lei de Falência do
sistema jurídico dos países também deve ser revisada para que as empresas
possam se recuperar. Na Alemanha, de acordo com o professor da Universidade de
Goethe (Frankfurt), Jan P. Krahnen, o sistema jurídico em relação à falência e
ao crédito já está sendo revisado.

Somente nos EUA, nos últimos 12 meses a taxa de inadimplência cresceu 15%.
Este ano, até o mês de setembro, o número chegou a 11%, contra 9,8% no mesmo
período de 2001. A perspectiva é de que a taxa de inadimplência deste ano
chegue a 13% até dezembro. “São os números mais altos de toda a história da
economia norte-americana”, afirmou o especialista norte-americano.

Edward Altman, um dos maiores especialistas em crédito do mundo, afirmou
ainda que a taxa de inadimplência nos EUA deve cair um pouco no próximo ano,
porém empresas em dificuldades devem continuar fechando. Ele disse ainda que os
bancos nos EUA estão capitalizados e, por isso, estão suportando o recorde de
concordatas. Ressaltou que os “spreads” (margens de risco) estão subindo e as
notas de classificação das companhias estão caindo. “Mais preocupante do que a
taxa de inadimplência é o baixo índice de recuperação do crédito”, alerta
Altman.

“Num cenário de capital avesso ao risco e de extrema volatilidade, por conta
das fraudes contábeis corporativas, da guerra ao terror, da estagnação de
várias economias desenvolvidas e dos consequentes ajustes nos países
emergentes, a atual estrutura da globalização financeira é altamente favorável
à transferência e pulverização do risco, onde muitas vezes os fundamentos
macroeconômicos passam desapercebidos ou são colocados em segundo plano,
principalmente pelas agências de risco”, afirmou Elcio Anibal de Lucca,
presidente da Serasa.

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