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Demanda das Empresas por Crédito

Atividade atacadista se beneficia da alta na busca por crédito e queda na inadimplência dos varejistas, revela Serasa

07/08/2017

Com cenário mais otimista para o setor, o primeiro semestre de 2017 indica evolução de 5,5% sobre o mesmo período do ano anterior. Região Centro-Oeste registrou a maior alta: 27,4%, seguida pelo Sul, com 11,1%

A procura por crédito dos varejistas junto ao atacado cresceu 5,5% no primeiro semestre de 2017, em relação ao mesmo período do ano passado. Para se ter uma ideia, a demanda geral das empresas por crédito caiu 4,5% no primeiro semestre de 2017, em comparação com o primeiro semestre do ano passado. Na comparação do ano de 2016 com 2015, o setor atacadista enfrentou o recuo de 13,8% da demanda, representada pela procura de crédito feita pelo varejista brasileiro. Os dados foram apresentados hoje, com exclusividade, no maior encontro da cadeia de abastecimento, realizado pela ABAD – Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados.

Para o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian, Victor Loyola, diante da retração geral da demanda empresarial por crédito, ainda decorrente do desempenho da economia – com vendas e produção estagnadas e consequente diminuição na necessidade de capital de giro para a produção – os números captados pelo atacado podem ser comemorados. “O crescimento da demanda do setor sinaliza que a necessidade de abastecimento do varejo, principal cliente do atacado, está sendo retomada, com expectativa de melhoria no faturamento, volume e rentabilidade dos agentes de distribuição”, diz Loyola.

Entre as regiões do país, a Centro-Oeste foi a que mais evidenciou essa retomada, com crescimento de 27,4% no primeiro semestre de 2017, em relação ao primeiro semestre de 2016. Na comparação 2016 com 2015 registrou-se retração de 1,9% naquela região. No Sul o aumento da demanda foi de 11,1% no primeiro semestre de 2017. A região havia apresentado desempenho negativo de 13,6% em 2016. “O desempenho de ambas as regiões pode ser atribuído à atividade agrícola, incrementada nos últimos meses em alguns estados produtores”, diz Loyola.

O Sudeste, responsável por metade da demanda por crédito dos varejistas junto ao atacado, também avançou 1,5% no primeiro semestre de 2017 sobre o mesmo período do ano anterior. Entre os anos de 2015 e 2016, a demanda por crédito na região foi 15,6% negativa.

No Nordeste, o aumento ficou em 1,4% na comparação semestral 2016/2017. Já na comparação 2015/2016, a demanda por crédito havia ficado no vermelho, em 16,1%. A região Norte foi a única que manteve o desempenho negativo no primeiro semestre de 2017, com 4,8% de retração. Entre 2015 e 2016 a queda ficou em 8,8%.

Estados

 Os Estados de Goiás (48,6%) e Mato Grosso (31,6%) apresentaram as maiores expansões na demanda por crédito no primeiro semestre de 2017. “O incremento da renda local, devido o avanço da agropecuária, é um dos fatores que impulsionaram o aumento mais significativo nesses estados”, diz Loyola.

Já na contramão da recuperação da demanda nacional, os estados de Rondônia (-39,0%), Amapá (-36,2%), Maranhão (-23,4%), Acre (-19,0%), Piauí (-18,9%), Minas Gerais (-8,9%), Pernambuco (-8,6%) e Amazonas (-0,2%) retrocederam na busca por crédito nos primeiros seis meses deste ano.

Confira a tabela completa:

Cenário mais otimista

Com a queda da inflação, gerando maior poder de compra dos consumidores de baixa renda, o varejo reativou sua demanda junto a seus fornecedores e, consequentemente, possibilitou o pagamento de dívidas em atraso. A inadimplência varejista recuou 7,2% entre janeiro e junho de 2017 em relação a igual período do ano passado. A queda foi mais expressiva que o recuo da inadimplência da economia em geral, de 6,4%. Em relação às regiões, a inadimplência do varejo registrou queda no período em todas: -5,3% no Sudeste, -11,2% no Sul, -10,3% no Nordeste, -1,1% no Norte e – 10,8% no Centro-Oeste.

Risco de inadimplência do Atacado

Mesmo com a recuperação da atividade, o cenário de inadimplência e risco de não pagar as contas em dia continua crítico para os atacadistas. O percentual de empresas do atacado inadimplentes subiu de 14,3%, em junho/2016, para 19,2% em junho/2017. Os atacadistas com alta probabilidade de inadimplência nos próximos seis meses representavam 27,2% em junho de 2016 e passou para 26,7% em junho de 2017. Veja abaixo a tabela completa com percentuais de todos os grupos.

O crescimento interanual do grupo de atacadistas em situação de inadimplência ganhou espaço sobre as demais categorias de risco. Um semestre de recuperação moderada não foi suficiente para reverter todo o impacto gerado na cadeia de abastecimento ao longo dos últimos dois anos de crise no consumo doméstico”, diz Loyola.

Segundo dados da ABAD, 53,7% do consumo nacional é abastecido diretamente pelo Atacado. “O setor é um forte termômetro da situação econômica do país porque reflete o consumo da população, penalizada no último ano pelo desemprego e pelo processo inflacionário. Quando a restrição do consumo da população, que num momento de crise, compra somente o necessário e procura marcas secundárias mais baratas, chegou no pequeno varejo, acabou impactando a cadeia de abastecimento em geral”, ressalta o vice-presidente.

Situação do risco nas regiões

A região Centro-Oeste concentra o maior crescimento interanual no grupo de empresas atacadistas em situação de inadimplência, com alta de 6,4 p.p. na comparação de junho 2016 x junho 2017. Em seguida, está o Nordeste, com evolução de 6,0% no mesmo grupo. Depois, aparecem a Norte, que subiu 5,6%, e a Sudeste e Sul, ambas com crescimento de 4,7%.

METODOLOGIA:

 Demanda por Crédito

O Indicador Serasa Experian da Demanda das Empresas por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de cerca de 1,2 milhão de CNPJ consultados mensalmente na base de dados da Serasa Experian. A quantidade de CNPJ consultados, especificamente nas transações que configuram alguma relação creditícia entre as empresas e as instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras, é transformada em número índice (média de 2008 = 100). O indicador é segmentado por região geográfica, setor e porte.

Inadimplência

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas, por analisar eventos ocorridos em todo o Brasil, reflete o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. O indicador considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições bancárias e não bancárias.

Score

O peso de cada informação do Serasa Score é definido de acordo com um estudo do comportamento histórico de grupos de empresas com o anonimato preservado. Esses grupos são compostos por características financeiras parecidas. Desse modo, estatisticamente, é possível comparar os resultados obtidos por setor específico com os demais para o cálculo do Serasa Score.

A pontuação vai até 1.000 pontos: de 01 até 400 pontos há alto risco de inadimplência; médio risco entre 401 e 700 e baixo risco para quem acumula pontuação acima de 700 pontos.

Serasa Experian

 

A Serasa Experian é líder na América Latina em serviços de informações para apoio na tomada de decisões das empresas. No Brasil, é sinônimo de solução para todas as etapas do ciclo de negócios, desde a prospecção até a cobrança, oferecendo às organizações as melhores ferramentas. Com profundo conhecimento do mercado brasileiro, conjuga a força e a tradição do nome Serasa com a liderança mundial da Experian. Criada em 1968, uniu-se à Experian Company em 2007. Responde on-line/real-time a 6 milhões de consultas por dia, auxiliando 500 mil clientes diretos e indiretos a tomar a melhor decisão em qualquer etapa de negócio.

Constantemente orientada para soluções inovadoras, a Serasa Experian vem contribuindo para a transformação do mercado de soluções de informação, com a incorporação contínua dos mais avançados recursos de inteligência e tecnologia.

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