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A importância do setor de telecom para a evolução socioeconômica

06/02/2012

Ricardo Loureiro (*)

O ser humano tem também como necessidades básicas a comunicação e o conhecimento. Hoje, a disponibilidade de avançados meios de telecomunicação  torna-se determinante para a disseminação da informação, da cultura, da pesquisa e das oportunidades. Nesse contexto, não é exagero dizer que o sistema de telecomunicações é tão importante para a economia quanto a geração de energia. Estudos internacionais comparam o setor como o sistema nervoso de um organismo vivo.

Dessa forma, além das telecomunicações serem parte integrante da eficiência socioeconômica de um país, também são fundamentais para a gestão, integração e produtividade corporativas.

No Brasil, os resultados alcançados com o rápido desenvolvimento de telecom, sobretudo via conectividade tecnológica, não têm sido diferentes dos registrados no restante do planeta. Um dos casos mais representativos é na zona rural, onde essa tecnologia trouxe o estímulo ao crescimento pelo conhecimento e evolução das atividades produtivas, além de significativo aumento da qualidade de vida e bem-estar. Estima-se que o principal impacto é na redução da migração urbana, dado que localmente aumentam as oportunidades de ampliação de renda e emprego.

Nessa direção, um estudo das Faculdades Integradas do Tapajós revela que  a chegada de uma torre de celular em Belterra, no Pará, mudou a cidade. Após dois anos, 75% dos moradores têm telefone celular e metade deles usa o aparelho para se conectar à Internet. Nesse período,  observou-se que o comércio local cresceu igualmente, 75%, graças à possibilidade de varejistas conectarem-se às máquinas de pagamento eletrônico – cartões de crédito e débito. O fato também viabilizou o comércio eletrônico, tanto como forma de abastecimento quanto como canal de distribuição. A partir daí, 21% da população dessa cidade já fizeram algum tipo de curso virtual. No final do ano passado, apenas cinco municípios brasileiros não possuíam acesso a sinal de celular, segundo a Anatel.

Para ilustrar, estudo Serasa Experian do Setor de Telefonia mostra a popularidade das linhas telefônicas (móvel e fixa) entre os consumidores jovens da periferia. Esse grupo representa 20,9% da população brasileira e corresponde a 19,8% das vendas realizadas pelas empresas de telefonia móvel e 25,5% das de fixa. Este fato positivo  ocorre devido à crescente formalização do mercado de trabalho nos últimos anos no Brasil, que tem beneficiado  a população de baixa renda, principalmente os jovens. Estes, além de terem maior estabilidade no emprego pelas regras do mercado formal de trabalho, passam a contar com um comprovante oficial de renda, o que estimula e facilita o acesso desta camada da sociedade em mercados específicos como o de crédito, telefonia etc.

O efeito do acesso às telecomunicações e serviços de informação ocorre em cascata e beneficia, além das famílias de baixa renda, também as comunidades rurais. É importante destacar que se conectando mais e mais cidades e pessoas à infraestrutura de telecom , com seu uso intensivo, é possível gerar externalidades positivas, no sentido de benefícios superiores aos custos.

Outros estudos mostram que há uma relação entre o crescimento no número de usuários de telecomunicações e o crescimento do PIB. Por exemplo, na Índia, uma das economias que mais cresce no mundo, um acréscimo de 10% na penetração dos serviços de Internet gera uma expansão de 1,08% no PIB, segundo relatório da Associação de Mobilidade e Internet do país (Internet and Mobile Association of India). Além disso, dadas as condições locais de saúde ainda problemáticas, muitos municípios indianos usam o SMS para lembrar os pais das vacinas disponíveis e necessárias para seus filhos. É uma ferramenta simples com grande resultado social.

Para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), dobrar a velocidade da banda larga pode gerar um adicional de 0,3% no PIB de qualquer economia.

No Brasil, estudo oficial sobre o Plano Nacional da Banda Larga (PNBL) mostra que o PIB pode crescer 23,6%, passando esse serviço dos atuais 12 milhões de domicílios para 40 milhões. Ainda que esses números sofram algumas críticas, independentemente do PNBL, o acesso à banda larga vem crescendo graças às estratégias bem sucedidas de expansão por parte do setor privado de telecomunicações.

O avanço brasileiro no que diz respeito ao setor de telecom é fenomenal e deve continuar sendo uma prioridade, para que o crescimento econômico seja cada vez mais equitativo e sustentável, além de promover a coesão política e social.

(*) Ricardo Loureiro- Presidente da Serasa Experian e da Experian América Latina

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