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Estudos Econômicos

Crédito desigual e fusões levam à concentração recorde do varejo

10/08/2009

O faturamento do comércio varejista nacional está cada vez mais concentrado nas maiores empresas, é o que revela estudo da Serasa Experian, com base no faturamento líquido anual das empresas varejistas espalhadas por todo o território brasileiro. De acordo com o estudo, o índice de Theil-L padronizado, que vai numa escala de 0 a 1, na qual 0 significa igualdade total, isto é, todas as lojas tem a mesma participação no mercado, e 1 significa concentração total, quando apenas um estabelecimento detém todo o mercado, atingiu o valor 0,931 em 2008, recorde de toda a era-Lula, ou seja, desde 2003.

Na amostra, foram estudados cinco segmentos varejistas: a) Supermercados e Hipermercados; b) Móveis e Eletroeletrônicos; c) Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios; d) Veículos; e) Material de Construção, segmentos de grande representatividade no comércio geral. O índice de 0,931 mencionado acima refere-se à consolidação dos três primeiros ramos varejistas – Supermercados e Hipermercados; Móveis e Eletroeletrônicos; Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios – a qual denominamos Varejo Parcial, em razão de várias destas empresas transitarem pelos três segmentos.

A análise mostrou que o segmento de maior concentração em 2008 foi o de Móveis e Eletroeletrônicos; seguido pelo de Tecidos, Vestuário e Calçados; Supermercados e Hipermercados; Material de Construção; e Veículos; respectivamente. Porém, a análise histórica dos índices de concentração revelou uma mudança entre a segunda e a terceira posição no ranking, no ano de 2007.  Nesse ano, Supermercados e Hipermercados, que estavam classificados na segunda posição do ranking de concentração, foram superados pelo segmento de Tecidos, Vestuários, Calçados e Acessórios.

O aumento da concentração do setor de Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios pode ser explicado pela expansão do crédito (oferta de cartões de crédito, inclusive de própria marca e o aumento dos prazos de pagamento), mais facilmente concedido pelas grandes empresas deste segmento, cujo aumento do faturamento anual foi superior à evolução média das demais empresas deste segmento. Ou seja, a dificuldade dos pequenos e médios varejistas em oferecer crédito aos consumidores em condições similares aos dos grandes varejistas os fez perder mercado nestes últimos anos.

Já o segmento de Supermercados e Hipermercados registrou crescimento considerável de pequenas e médias lojas de bairro no período, derivado do aumento da renda e do nível de emprego, o que reduziu um pouco a concentração no segmento, porém, esse processo foi revertido nos últimos dois anos, com a retomada das aquisições e fusões, especialmente entre empresas varejistas e atacadistas, formando o chamado “atacarejo”.

As lojas de Material de Construção e de Veículos registraram índices de concentração mais reduzidos que os dos segmentos anteriores. Todavia, no setor de Material de Construção houve trajetória de aumento de concentração, podendo ser explicada também pela expansão do crédito favorecendo os grandes estabelecimentos, além de movimentos de importantes fusões e aquisições neste segmento.

Já para o comércio de veículos, além de registrarem os menores índices de concentração entre todos os segmentos pesquisados, o movimento foi inverso. Ou seja, houve redução da concentração no segmento, beneficiada pelo aumento da participação de outras concessionárias de fora do grupo das quatro maiores montadoras, tanto em volume de vendas, quanto na ampliação na rede de lojas. Aqui, neste segmento o crédito, por ser oferecido de forma mais disseminada, acabou não favorecendo elevação dos índices de concentração.

Amostra

Para a elaboração deste estudo foram utilizadas informações de, aproximadamente, 9.800 empresas comerciais (média anual) que, em 2008, registraram um faturamento líquido acumulado de R$ 268,9 bilhões.

Metodologia

Utilizamos como medida de concentração o Índice de Theil-L padronizado, obtido da seguinte forma:

a)    Calculam-se as médias aritméticas  e geométricas  do faturamento líquido para cada período (ano) t analisado;

               e         

b)    Calcula-se o Índice Theil-L para cada período (ano) t ;

c)    Calcula-se o Índice Theil-L Padronizado para cada período (ano) t ;

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