Últimas Notícias

Pesquisas Serasa de Perspectiva Empresarial

Crise derruba confiança do empresário

30/03/2009

A crise financeira global continua mudando a expectativa
dos empresários. De acordo com a Pesquisa Serasa Experian de Expectativa
Empresarial, 33% dos empresários vão reduzir os investimentos no 2º trimestre
de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. No 1º trimestre deste ano, apenas
14% pretendiam reduzir os investimentos na mesma comparação. Por outro lado,
somente 21% dos empresários entrevistados pretendem ampliar seus investimentos
no 2º trimestre de 2009 ante igual período de 2008 (no 1º trimestre de 2009,
esta cifra correspondia a 50% dos empresários). Assim, na avaliação do 2º
trimestre de 2009, a intenção de ampliar investimentos caiu pouco abaixo da
metade verificada nos primeiros três meses de 2009.

 

A pesquisa foi realizada na primeira
quinzena de março com 1015 executivos (presidentes, diretores e
economistas-chefes) das empresas representativas dos setores da indústria,
comércio, serviços e instituições financeiras do país.

 

Na análise setorial, nota-se que a
Indústria tem a maior parcela de empresários apostando na queda dos
investimentos (36%), seguida dos Serviços (33%) e Comércio (32%). As
Instituições Financeiras tem 27% de seus respondentes acreditando em queda dos
investimentos e 32% no sentido oposto, esperando alta, se distinguindo dos
demais segmentos por um otimismo maior que a parcela que opinou pelo
recuo.

 

Na análise por porte, os executivos
das médias empresas praticamente se dividem entre estabilidade (41%) e
decréscimo (39%) dos investimentos no 2º trimestre de 2009 em relação a igual
período do ano passado. Já nos outros portes, há predominância da manutenção
dos investimentos e a aposta de queda, mesmo abaixo desta, ela é
significativa.

 

Na perspectiva histórica dos 2º
trimestres desde 2005, o de 2009 retrata a maior parcela (33%) que crê em
decréscimo dos investimentos e, ao mesmo tempo, a menor otimista
(21%).

 

A análise regional demonstra que a
região Norte é a mais pessimista com relação aos investimentos (41% das
empresas vão reduzi-los neste 2º trimestre), seguida de perto pelo Sudeste
(37%).

 

Faturamento aparece como
dúvida

 

As expectativas dos empresários estão
divididas no que diz respeito ao faturamento de sua empresa. No 2º trimestre de
2009, 37% dos entrevistados preveem estabilidade do faturamento de seu negócio
em relação ao 2º trimestre de 2008, 31% acredita em elevação e 32% em
diminuição. No 1º trimestre de 2009, a distribuição das respostas era: 36%
aumento, 35% manutenção e 29% queda. De qualquer forma, há uma ligeira
deterioração das opiniões na relação 1º e 2º trimestres 2009.

 

Na série histórica dos 2º trimestres,
desde 2005, há o menor patamar de otimismo (31%) sobre o faturamento e o maior
de redução (32%).

 

Na visão por porte e por setor, não há
tendência definida para seu próprio faturamento. A Indústria, o Comércio e os
Serviços, de empresas pequenas, médias e grandes se posicionam divididos
igualmente com opiniões ao redor de 30% em relação ao aumento, diminuição e
manutenção do faturamento.

 

Na análise regional, os empresários do
Centro-Oeste estão mais otimistas em relação ao faturamento de suas empresas no
2º trimestre. São 46% dos empresários locais nessa referência. Em seguida está
o Nordeste, com 39% dos empresários aguardando o aumento de seu faturamento,
39% estabilidade e 22% queda. O Sudeste é a região menos otimista, com 36%de
seus empresários aguardando queda no faturamento de suas empresas no
período.

 

A SELIC vai cair

 

52% das empresas dizem que a SELIC vai
cair no 2º trimestre. A Indústria é o setor onde a expectativa é maior, com 65%
dos entrevistados apontando nessa direção. Na sequência está o Comércio, 53% de
seus empresários.

 

A média (59%) e a grande (58%)
empresas estão mais confiantes na diminuição na SELIC. O Sul (56%) e o Sudeste
(53%) encabeçam a lista dos mais convencidos em relação à redução da taxa
básica e juros.

 

O Real desvalorizado

 

Para 79% dos respondentes, o dólar vai
se valorizar frente ao Real no 2º trimestre de 2009. É o maior percentual de
apostas contra o Real em todos os 2º trimestres desde a criação da pesquisa. Em
relação ao 1º trimestre, os palpites nessa direção caíram. Eram 87% e houve uma
migração, sobretudo, para a estabilidade.

 

Por setor, 83% dos empresários da
Indústria aguardam uma valorização do dólar. Os demais setores (Comércio,
Serviços e Instituições Financeiras) têm posição ao redor de 79% nessa questão.
O Centro-Oeste (83%) e o Sudeste (81%) compartilham mais intensamente dessa
questão no câmbio.

 

Desemprego em alta

 

Para 76% dos empresários, o desemprego
vai aumentar no 2º trimestre, que repete o patamar do trimestre anterior. Na
perspectiva histórica dos 2º trimestre, também é o indicador mais negativo.
Todos os setores e porte de empresas compartilham dessa opinião. Os destaques
ficam com as Instituições Financeiras (88%) e as grandes empresas (83%). O
Sudeste (79%), Sul (77%) e Centro-Oeste (75%) são as regiões que enxergam a
piora no emprego.

 

Renda do brasileiro vai
encolher

No 2º trimestre, 53% dos empresários
creem em recuo da renda média da população e 37% em estabilidade na comparação
com igual período de 2008. As Instituições Financeiras (65%) e as médias e
grandes empresas (59% cada) também estão à frente dessa expectativa. O Sudeste
(59%) é a região menos otimista na questão da renda. Novamente, na série
histórica dos 2º trimestres, desde 2005, é o indicador (53%) que aponta a maior
queda na renda do brasileiro no período.

 

Inadimplência e o endividamento da
população estão subindo

 

Para o 2º trimestre deste ano, 78% dos
empresários esperam o agravamento da inadimplência da população. 95% dos
entrevistados nas Instituições Financeiras aguardam por essa situação e são
seguidos pela Indústria (84%). As grandes (83%) e médias (82%) empresas apontam
para essa perspectiva. As regiões Centro-Oeste (79%), Sul (79%), Sudeste (77%),
Nordeste (75%) e Norte (64%) estão convencidas de que a inadimplência da
população continuará a subir no próximo trimestre. Nos primeiros três meses do
ano 72% dos entrevistados já apontavam para o aumento da
inadimplência.

 

Em relação ao endividamento da
população, 69% dos respondentes da pesquisa falam em aumento no 2º trimestre.
No mesmo período anterior eram 64%. O patamar atual praticamente empata com os
verificados nos 2º trimestres de 2008 e 2005. O Comércio (74%) e as
Instituições Financeiras (72%) lideram essa opinião na análise setorial. Por
porte de empresa, as pequenas (72%) são as menos otimistas sobre o tema. O
Nordeste (72%), Centro-Oeste (71%), Sudeste (69%), Sul (69%) e Norte (57%)
estão em consenso sobre a ampliação do endividamento do brasileiro.

 

PIB: Empresas esperam crescimento
em 2009

 

Para 39% das empresas o PIB crescerá
entre 1% e 2% neste ano em relação a 2008. Para 35% o crescimento será entre 2%
e 3%. Para 14%, o PIB anual ficará abaixo de 1%.

 

Avaliação

Os indicadores da pesquisa mostram uma
deterioração das expectativas empresariais entre os 1º e 2º trimestres de 2009
por conta dos efeitos da crise financeira global. Além disso, a metodologia da
Pesquisa de Expectativa parte da comparação entre iguais períodos, 2º
trimestres 2009/2008, neste caso é considerado um período sem crise, com pleno
crescimento da atividade econômica (2008) e outro, em 2009, já sob as
conseqüências do evento global, evidenciando perspectivas mais negativas em
relação à base estabelecida.

 

Metodologia da Pesquisa Serasa
Experian de Expectativa Empresarial

 

O objetivo da Pesquisa Serasa Experian
de Expectativa Empresarial é identificar as principais tendências da economia
para o trimestre, a partir do levantamento das perspectivas dos empresários,
indo além da confiança desses agentes.

 

A pesquisa da Serasa Experian, que há
40 anos tem participação expressiva na evolução econômico-financeira do Brasil,
começou a ser desenvolvida em 2005 e apresentou um alto grau de assertividade
em suas edições experimentais. Trata-se de um levantamento estatístico com uma
amostra de mais de mil empresas representativas dos setores da indústria,
comércio, serviços e instituições financeiras, dos portes pequeno, médio e
grande e das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

 

Divulga informações quantitativas de
variáveis que captam as perspectivas das empresas sobre as condições
macroeconômicas do país (PIB, taxa de juros e taxa de câmbio), os indicadores
de emprego e renda (taxa de desemprego e renda média da população), a
inadimplência e a oferta de crédito geral (grau de inadimplência da população,
oferta de crédito na visão da indústria, comércio e serviço e oferta de crédito
para pessoa física (PF) e pessoa Jurídica (PJ) na visão das instituições
financeiras) e os indicadores do negócio de cada empresa (faturamento e
investimento).

Os resultados retratam a percepção das
empresas sobre o ambiente econômico e podem antecipar eventos que de fato
ocorrerão na economia. Foram obtidos a partir da média ponderada das respostas
de cada empresa e consideram a maior proporção das respostas possíveis
(crescimento, estabilidade e
queda).         

 

  • 2017 Serasa Experian. Todos os direitos reservados.