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Pesquisas Serasa de Perspectiva Empresarial

Crise derruba otimismo dos empresários

26/01/2009

A crise financeira mundial já mudou a expectativa dos
empresários. De acordo com a Pesquisa Serasa Experian de Expectativa
Empresarial, somente 36% dos empresários esperam aumento do faturamento em sua
empresa no primeiro trimestre do ano. É o menor percentual já registrado desde
2006. No ano passado, os otimistas eram 61%. Em 2007, 53% aguardavam
crescimento, contra 47% de 2006. Para o primeiro trimestre do ano, 35% esperam
estabilidade e 29% apostam em queda do faturamento.

A pesquisa da Serasa Experian foi
realizada de 5 a 9 de janeiro de 2009 com 1.024 executivos (presidentes,
diretores e economistas-chefes) das empresas representativas dos setores da
indústria, comércio, serviços e instituições financeiras do país.

A indústria é o setor menos otimista
em relação ao faturamento no primeiro trimestre de 2009. Apenas 30% dos
empresários esperam elevação do faturamento, seguidos pelo setor de serviços e
do comércio (ambos 38%). As empresas da região Norte são as menos otimistas:
32% esperam aumento. O Centro-Oeste é a região mais otimista, 39% apostam em
alta, seguidas por Nordeste, Sul (ambas 37%) e Sudeste (35%).

Investimentos
menores

Sobre investimentos, 57% das empresas
disseram que não estão investindo no momento. Destas, 87% não pretendem
investir no primeiro trimestre de 2009. Das empresas que estão investindo hoje
(43% do total), apenas a metade pretende aumentar seus investimentos em relação
ao ano anterior. Em anos anteriores esse percentual era 66% (2008), 63% (2007),
31% (2006). Outras 36% vão manter e 14% vão diminuir o investimento no primeiro
trimestre deste ano.

Segundo o levantamento por porte, as
pequenas empresas são as mais otimistas, 53% pretendem aumentar seus
investimentos. Por setor, as instituições financeiras, 56%, são as mais
otimistas, seguidas pelo comércio (53%), serviços (52%) e indústria (40%).O
Nordeste (65%) desponta como a região que mais aposta em alta dos investimentos
nos três primeiros meses de 2009. O Centro-Oeste vem na sequência, com
57%.

Emprego e renda: desemprego aumenta
em 2009 e renda cai

De acordo com a Pesquisa Serasa
Experian de Expectativa Empresarial, 77% dos empresários esperam aumento do
desemprego no 1º trimestre de 2009. Em 2008, esse percentual era 24%, em 2007
33% e em 2006, era 38%.

As instituições financeiras são as
mais pessimistas, 83% esperam desemprego. Outro setor pessimista é a indústria,
81% aguardam a alta do desemprego no primeiro trimestre deste ano. Em serviços,
79% dividem a mesma opinião. No comércio, os pessimistas são 75%.

A região mais pessimista em relação ao
crescimento do desemprego é a Sudeste (82%) para o primeiro trimestre do
ano.

Quanto à renda do brasileiro, para os
três primeiros meses do ano, as opiniões são, para 49%,queda da renda,
estabilidade (40%) e alta (11%).

Inadimplência e endividamento: novo
aumento dos índices

Dos empresários entrevistados, 72%
esperam crescimento da inadimplência do brasileiro no 1º trimestre do ano e
20%, estabilidade em relação ao mesmo período de 2008. As instituições
financeiras são as pessimistas, 86% apostam em alta, seguidas pela indústria
(73%), Serviços (71%) e o Comércio (70%).

Os empresários (64%) apostam ainda na
alta do endividamento da população, em todo o país, no 1º trimestre. As
instituições financeiras e o comércio são os setores que mais acreditam em
aumento do endividamento, 71% e 67%, respectivamente, seguidos pelo setor de
serviços e indústria (ambos 61%). Para o primeiro trimestre de 2009, todas as
regiões esperam alta do endividamento: Sudeste (66%), Nordeste (62%), Sul
(61%), Norte (60%) e Centro-Oeste (59%).

Crédito: queda para consumidor e
empresa

A oferta de crédito para pessoa física
e jurídica irá cair no primeiro trimestre deste ano na visão de 48% dos
empresários. É a primeira vez na pesquisa, desde 2006, que o número de
empresários que aposta em queda é maior do que o grupo que aposta em
alta.

Modalidades de pagamento:
permanecerão inalteradas

De modo geral, a composição das vendas
à vista e a prazo, hoje, está na proporção de 36% para 64%, respectivamente. A
composição das formas de pagamento praticamente não deve se alterar no 1º
trimestre.

PIB: expectativa de crescimento
entre 1 e 3%

Para 37% das empresas, o PIB deverá
crescer em 2009 em relação ao ano passado entre 2% e 3%. Outros 35% acreditam
que alta será entre 1% e 2%.

Câmbio: dólar em
alta

A expectativa em relação à taxa de
câmbio do dólar frente ao real, para 87% dos entrevistados, é de alta para o 1º
trimestre e a cotação deve ficar próximo de R$2,28 por dólar.

Análise

A expectativa do empresário brasileiro
passou por uma significativa deterioração a partir do último trimestre de 2008.
A menor oferta de crédito, os juros mais altos e a falta de confiança no
mercado rapidamente contaminaram a opinião dos empresários.

Dos aspectos analisados chamam a
atenção os temas: investimentos, faturamento, desemprego e inadimplência. A
ruptura das expectativas sobre os itens fundamentais para produção e para a
demanda não deixa dúvidas de que será um 1º trimestre muito mais difícil do que
o verificado em igual período do ano passado.

No geral, as regiões menos otimistas
são o Centro-Oeste e o Sudeste. A primeira ressente a queda dos preços
internacionais das commodities e a segunda tem na indústria, que se adapta ao
novo patamar da demanda, a razão para não esperar um significativo 1º
trimestre.

Metodologia da Pesquisa Serasa
Experian de Expectativa Empresarial

O objetivo da Pesquisa Serasa Experian
de Expectativa Empresarial é identificar as principais tendências da economia
para o trimestre, a partir do levantamento das perspectivas dos empresários,
indo além da confiança desses agentes.

A pesquisa da Serasa, que há 40 anos
tem participação expressiva na evolução econômico-financeira do Brasil, começou
a ser desenvolvida no final de 2005 e apresentou um alto grau de assertividade
em suas edições experimentais. Trata-se de um levantamento estatístico com uma
amostra de mais de mil empresas representativas dos setores da indústria,
comércio, serviços e instituições financeiras, dos portes pequeno, médio e
grande e das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Divulga informações quantitativas de
variáveis que captam as perspectivas das empresas sobre as condições
macroeconômicas do país (PIB, taxa de juros e taxa de câmbio), os indicadores
de emprego e renda (taxa de desemprego e renda média da população), a
inadimplência e a oferta de crédito geral (grau de inadimplência da população,
oferta de crédito na visão da indústria, comércio e serviço e oferta de crédito
para pessoa física (PF) e pessoa Jurídica (PJ) na visão das instituições
financeiras), os indicadores do negócio de cada empresa (faturamento) e as
modalidades de pagamento (à vista e a prazo).

Os resultados retratam a percepção das
empresas sobre o ambiente econômico e podem antecipar eventos que de fato
ocorrerão na economia. Foram obtidos a partir da média ponderada das respostas
de cada empresa e consideram a maior proporção das respostas possíveis
(crescimento, estabilidade e queda).

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