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Crédito mercantil desacelera em relação ao crédito bancário até setembro de 2008, revela estudo da Serasa Experian

23/12/2008

Nos últimos meses, entretanto, a crise
financeira internacional está fazendo com que o financiamento mercantil retome
a sua força, pois as instituições financeiras brasileiras estão mais cautelosas
na concessão do crédito

 

Estudo da Serasa Experian, com base
nos balanços de cerca de 60 mil empresas, mostra que o crédito mercantil,
obtido pelas empresas com seus fornecedores e que se destina a financiar o
dia-a-dia dos negócios, apresentou crescimento inferior ao crédito bancário,
nos primeiros nove meses de 2008, na comparação com 2007. Houve um aumento de
24% no financiamento bancário e de 3% no financiamento mercantil no
período.

Os dados dos balanços das empresas
mostram que o volume gerado pelo financiamento mercantil em setembro de 2008
atingiu cerca de R$ 271 bilhões, apresentando uma evolução de 177%, de 1996 a
2008, descontando-se a inflação. O financiamento bancário, cuja cifra está em
R$ 674 bilhões, revelou crescimento de 168%, neste mesmo período.

Segundo os técnicos da Serasa
Experian, a desaceleração do financiamento mercantil deveu-se ao aumento na
oferta de crédito, juntamente com o menor patamar das taxas de juros em relação
aos anos anteriores, além de prazos mais atrativos, verificados até o momento
da instalação da crise financeira no país.
 

Devido à natureza de suas modalidades
os dois tipos de financiamentos possuem grandes diferenças em relação aos
prazos, sendo que o financiamento mercantil tem como principal característica o
curto prazo, que está no patamar de 99% das operações. Por outro lado, o
financiamento bancário apresenta relação de curto e de longo prazo, de 37% e
63% respectivamente. Isto pode ser observado pelo volume de negócios em curto
prazo em ambas as modalidades, sendo que o mercantil atingiu, em setembro de
2008, aproximadamente R$ 269 bilhões, enquanto o bancário girou em torno de R$
252 bilhões.

Nos últimos meses de 2008, entretanto,
a crise financeira internacional, que teve como estopim a crise das hipotecas
sub-prime do mercado norte-americano, desembarcou no país e está fazendo com
que o financiamento mercantil retome a sua força, uma vez que as instituições
financeiras brasileiras entendem que é hora de cautela e não de expansão do
crédito, bem como de redução dos prazos. A elevação das taxas de juros
praticadas também contribuiu para a retração do crédito. Tais práticas acabarão
levando as empresas, uma vez mais, a procurar soluções mais acessíveis e
baratas, em detrimento ao financiamento bancário.

Estas importantes mudanças são
conseqüências da desaceleração da economia no âmbito mundial, gerando escassez
no crédito e redução de negócios, fazendo com que a relação entre as empresas e
os seus fornecedores se estreite cada vez mais em prol de um objetivo comum,
que é a manutenção da irrigação financeira ao processo diário de produção e
comercialização de produtos

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