Últimas Notícias

Estudos Econômicos

Bancos brasileiros e a crise financeira: sólidos e pouco alavancados

08/12/2008

Estudo elaborado pela Serasa com os balanços de 40
importantes bancos brasileiros, segmentados em grande e médio porte, demonstrou
que a crise financeira mundial encontrou os bancos brasileiros com alta
solidez, decorrente da pouca alavancagem nas operações, quando comparado aos
internacionais.

 Esta
alavancagem mostra o nível de operações de crédito em relação ao patrimônio
líquido. Em Junho/2008, esta relação era de 3,1 vezes o valor do patrimônio
líquido, demonstrando estabilidade nos períodos analisados. Os grandes bancos,
no Brasil, têm em média 3,2 vezes, enquanto que os médios bancos têm 2,8 vezes.
Nos Estados Unidos, bancos como Merrill Lynch, Lehman Brothers e Goldman Sachs
estavam com alavancagem variando entre 24 e 31 vezes o patrimônio
líquido.

 Desde
2003, iniciou-se um processo de redução na taxa básica de juros no Brasil e o
crédito iniciou uma trajetória ímpar de crescimento, até a chegada da crise. No
entanto, o sistema bancário permaneceu, durante todos esses anos, apresentando
um comportamento conservador, se comparado a importantes bancos internacionais,
que não conseguiram superar a crise econômica, iniciada nas carteiras
imobiliárias. A oferta de crédito, no Brasil, atingiu o topo de 39% do PIB em
2008, demonstrando que o brasileiro está longe de ter sobrecarga de
endividamento. O crédito imobiliário não passa de 3% do nosso PIB. Na economia
americana, por outro lado, chega-se a 86% do PIB, com prazos de financiamentos
de até 40 anos.

Além da solidez, outro fator que
merece destaque é a mudança de perfil dos bancos médios. Apesar de ainda não
divulgadas todas as demonstrações financeiras de Setembro/2008, os números de
Junho/2008 já mostravam que os bancos médios mostravam perda de fôlego, antes
da crise, evidenciada pela redução da qualidade dos ativos, aumento do nível de
perdas e redução de receitas. Esse quadro já foi atenuado pela venda das
carteiras dos bancos médios para os bancos maiores, que a própria crise
financeira se encarregou de acelerar. Também é tido como certo uma redução dos
ganhos, em todo o sistema, pelo esgotamento da capacidade de financiamento de
determinados setores como o automobilístico, cujos fatores impulsionadores como
o volume farto de empréstimos e as baixas taxas de financiamento não existem
mais.

Se por um lado havia uma relativa
fragilidade nos bancos médios, ela foi revertida pela atuação do Governo
Federal com medidas que visam a garantir o pleno funcionamento do mercado e
pela atuação dos grandes bancos que souberam aproveitar a oportunidade. Eles
alavancaram sua posição no mercado, mediante aquisição das carteiras ou de
controle acionário, alicerçados na notória solidez que apresentam, fruto de
gestão eficaz nos negócios, aliada à capacidade de gerar e reter resultados
quando a economia assim o permitia. Mesmo num cenário de incerteza, com menores
taxas de crescimento para os próximos anos, ainda se manterá aquecido o mercado
interno brasileiro e o crédito vai continuar impulsionando os
negócios.

  • 2017 Serasa Experian. Todos os direitos reservados.