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Rentabilidade dos serviços em 2007 atinge o maior patamar dos últimos 8 anos

05/11/2007

Estudo da Serasa mostra que o setor de serviços foi o que mais se beneficiou
da melhoria da atividade econômica, envolvendo a expansão da massa salarial,
ampliação do crédito e a recomposição de estoques em importantes segmentos da
indústria. O estudo apresenta o Indicador de Rentabilidade Ajustada das
empresas, que alcançou a média de 6,6% em junho de 2007. O indicador mede a
relação entre o lucro ajustado (lucro líquido excluindo-se a equivalência
patrimonial e os resultados extra-operacionais) e o faturamento líquido. A
pesquisa foi realizada com uma amostra de 9.700 balanços, sendo 3.200 de
empresas da indústria, 3.700 do comércio e 2.800 de serviços. Os balancetes de
junho de 2007 foram divulgados somente no 3º trimestre de 2007.

A rentabilidade das empresas do setor de serviços, no primeiro semestre de
2007, atingiu 9,9%, com destaque para as prestadoras de serviços de utilidade
pública, entre elas, as do segmento de telefonia fixa. O índice refletiu a
estratégia de muitas operadoras em ofertar serviços de valor agregado,
motivadas pela estagnação da taxa de penetração e pela diminuição no tráfego de
ligações, devido à migração dos usuários para a telefonia móvel. Planos
alternativos para cobrança de assinatura básica mensal, controle de pulsos
utilizados e tarifas especiais para o usuário de acesso discado à Internet já
são praticados. As operadoras têm voltado seus esforços para ofertar pacotes de
serviços sofisticados como o “triple play” – uma combinação de telefonia fixa,
televisão a cabo e acesso à Internet por banda larga a custo único, em parceria
com empresas de TV a cabo – e IPTV, pacotes que, além dos serviços “triple
play”, englobam transmissão de sinal de TV via banda larga. Essas inovações
significam, não apenas diversificação de mercados e novas fontes de receita,
mas a garantia da própria sobrevivência e melhoria da lucratividade do
setor.

No segmento de energia, a rentabilidade foi beneficiada pela apreciação do
real frente ao dólar, que ajudou a diminuir o custo financeiro das empresas
endividadas em moeda estrangeira, pelo aumento do consumo de energia elétrica e
pela melhor gestão das empresas do segmento. O aumento da massa salarial e do
crédito foram propícios à expansão das compras de eletrodomésticos e
eletroeletrônicos (naturais consumidores de energia elétrica), beneficiando,
sobretudo, o consumo da classe residencial.

No primeiro semestre de 2007, o setor industrial registrou rentabilidade
próxima ao ano de 2004, favorecido pela demanda aquecida, tanto externa como
interna. Após atingir o maior nível de rentabilidade em 2004 (7,0%), o setor
apresentou queda em 2005 (6,1%) e 2006 (5,5%) devido à valorização do Real, que
reduziu a rentabilidade das exportações de bens industriais. Em contraposição,
o efeito cambial foi positivo para segmentos nos quais parte dos custos são
importados, bem como para as empresas com dívidas em dólar, cuja cotação em
queda reduziu as dívidas em reais, gerando receita financeira e contribuindo
para a rentabilidade.

Os segmentos em destaque da indústria são o de Papel e Celulose, beneficiado
pela contração da oferta mundial, face à crescente demanda pela commodity, e
pelo incremento nas vendas internas; e o Siderúrgico, que apesar da pressão
altista nos custos teve a rentabilidade beneficiada pelo aumento das cotações
do setor e pela preferência ao mercado interno, que ofereceu maior
remuneração.

A rentabilidade das empresas do setor do comércio que, historicamente,
trabalha com margens mais comprimidas, também apresentou mudança de patamar ao
longo dos anos. No período de 2001 a 2003, a média da margem de lucro situou-se
em torno de 1,2%, enquanto de 2004 a 2007 a margem líquida atingiu média de
2,1%. Entre os principais motivos, o estudo da Serasa cita o ganho de margem do
segmento de produtos para o vestuário, favorecido pela valorização do real
sobre o dólar, e a ampliação da margem das concessionárias de veículos na
prestação de serviços e nas vendas de carros usados.

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