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Investimento das grandes indústrias é recorde em 2006, revela estudo da Serasa

01/02/2007

Estudo elaborado pela Serasa, com base nos demonstrativos contábeis de cerca
de 10.000 empresas de capital aberto e fechado, mostra que desde 2003 até
setembro deste ano, as grandes indústrias ampliaram os investimentos em ativos
fixos destinados para aumentar a capacidade produtiva e, com isso, incrementar
o nível de competitividade de seus produtos.

Em 2003, a economia teve dois momentos distintos: no primeiro semestre as
taxas de juros estavam elevadas e houve desaquecimento do mercado interno, em
razão da perda de poder aquisitivo da população e da alta taxa de desemprego. A
partir de julho, contudo, houve cortes consecutivos da taxa básica de juros,
aumento da concessão de financiamento em alguns setores, crescimento da entrada
de investimento externo no País e estabilidade da taxa de câmbio.

Esse conjunto de fatores contribuiu para o aquecimento da atividade
industrial ao longo do segundo semestre. Nesse período, os investimentos das
grandes empresas representaram 4,3% do faturamento, contra 3,9% nas pequenas
empresas.

Exportação

Em 2004, as exportações foram responsáveis por grande parte do crescimento
da atividade industrial. Porém verificou-se, em maio, o início da recuperação
da demanda interna, sustentada em grande medida pela melhora nas condições de
crédito ao consumidor. O aumento da massa salarial, motivado pela expansão do
nível de emprego, também contribuiu para o desempenho do mercado interno.

Os investimentos realizados neste período representaram 4,9% nas grandes
empresas e 4,3% nas pequenas e médias empresas, mostrando-se ligeiramente
superior ao ano anterior. Esses investimentos foram impulsionados pelo aumento
da produção dos setores de eletrodomésticos (linhas branca e marrom) e de
automóveis, caminhonetes e utilitários, além do segmento de bens de capital,
que foi favorecido pelo crescimento das exportações e das vendas internas para
os setores de mineração, siderurgia, alumínio, papel e celulose e
agricultura.

Em 2005, a expansão do crédito e das exportações foram os fatores que
beneficiaram os investimentos em ativos das grandes indústrias.

Nas grandes indústrias – aquelas com faturamento líquido anual maior que R$
50 milhões –, o volume de investimentos em ativos fixos revelou crescimento
contínuo desde 2003 e foi equivalente a 7,6% do faturamento até setembro de
2006, maior percentual atingido no período do estudo.

As cerca de 1.700 grandes empresas da amostra fizeram investimento de cerca
de R$ 32 bilhões no imobilizado, até setembro, sem considerar os valores da
Petrobrás, que investiu sozinha cerca de R$ 11 bilhões no mesmo período.

Papel e Celulose

O segmento de Papel e Celulose se destacou no estudo com indicador de
investimento de 26,9% das vendas até setembro/2006. Diante da demanda aquecida
e da acirrada concorrência interna e externa, destinou grande parte de seus
recursos à manutenção e ampliação das plantas industriais, a fim de
consolidar-se como player de destaque no mercado globalizado.

Outro destaque foi o segmento siderúrgico que destinou o equivalente a 12,7%
das vendas para investimento. O segmento foi beneficiado nos últimos anos pelos
consecutivos aumentos da demanda interna e externa, com destaque para EUA e
China, cujo aumento do consumo e o fato de as usinas brasileiras estarem
operando próximo a sua capacidade plena, levou as empresas a destinar
investimentos para expansão da produção.

O segmento Petroquímico revelou investimentos da ordem de 8,2% do
faturamento líquido, destinados ao aumento da capacidade do processamento de
insumos; a programas de segurança e meio ambiente bem como à manutenção das
plantas operacionais.

Como contraponto, o segmento têxtil apresentou investimentos equivalentes a
1,9% do faturamento, devendo-se ressaltar a grande concorrência com os produtos
asiáticos importados, que prejudicaram o desempenho das empresas.

Pequenas e Médias investem menos

As pequenas e médias empresas, aquelas com faturamento anual até R$ 50
milhões, apresentam investimentos equivalentes a 4,1% do faturamento até
setembro/2006, bem inferior ao das grandes empresas.

No universo das pequenas e médias empresas, as do segmento químico foram as
que apresentaram maior nível de investimento, com 6,0% das vendas, enquanto o
menor nível ficou entre as do segmento de alimentos, que apresentou indicador
de 2,6%.

Historicamente, a menor lucratividade das pequenas e médias indústrias
aliada aos juros elevados, dificultam o acesso ao crédito e inibem
investimentos maiores. Da amostra total do estudo realizado pela Serasa, maior
empresa do Brasil em pesquisas, análises e informações econômico-financeiras
para negócios, as pequenas e médias empresas, que totalizaram cerca de 8.300
empresas da amostra, investiram mais de R$ 2 bilhões até setembro de 2006.

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