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Crédito mercantil atinge R$ 297 bilhões

19/12/2006

Estudo da Serasa mostra que o desempenho do crédito mercantil, concedido
pelas empresas aos seus clientes, teve um crescimento expressivo, em termos
reais, nos últimos anos. As empresas têm ampliado a oferta de crédito para seus
clientes, alcançando em setembro de 2006 a cifra de R$ 297 bilhões. Esse saldo
é superior aos empréstimos destinados às empresas, na modalidade de recursos
livres, realizados pelo sistema financeiro, que totalizaram, na mesma data, R$
204 bilhões.

O valor apresentado no estudo da Serasa foi obtido pelo somatório da conta
clientes registrada nos balanços de 60 mil empresas, encerrados em setembro de
2006.

Fatores como a estabilidade da economia, os juros em queda, apesar de ainda
situarem-se em um patamar elevado, e o aumento da massa salarial real foram os
mais relevantes para que as empresas ampliassem os créditos a seus clientes,
contribuindo, desta forma, para o crescimento desses negócios.

O comércio foi o grande destaque, com crescimento acumulado de 30% do
crédito mercantil, já descontada a inflação do período. Por atuar basicamente
no mercado interno, mesmo sob o impacto do baixo crescimento da economia, o
comércio conseguiu, utilizando-se do crédito mercantil, alavancar seus negócios
por estar mais perto do consumidor final e sentiu de perto o crescimento da
demanda favorecida pela expansão da massa salarial, derivada do aumento do
emprego e do rendimento real da população.

A indústria também mostrou uma expansão real importante, de 20%, no crédito
mercantil, motivada pelo crescimento em 2004, decorrente do bom desempenho da
economia doméstica e do volume das exportações. Em 2005 e 2006, o desempenho
foi alicerçado por segmentos com forte expansão de negócios como siderurgia,
eletrônicos e suco de laranja. O resultado poderia ter sido melhor não fosse a
valorização da moeda norte-americana, que conteve o crescimento das exportações
e estimulou a importação, notadamente, a de bens de consumo, contribuindo para
a relativa estabilidade no faturamento do setor.

Os serviços tiveram o menor crescimento, quando comparado ao comércio e a
indústria, com expansão real de 13% do crédito mercantil no período analisado.
Por sua atuação exclusiva no mercado interno, após a retração dos negócios no
início de 2003, segmentos importantes como telefonia e energia elétrica foram
impactados pelos reajustes de tarifas públicas, relativamente próximos dos
índices inflacionários, que estão em queda desde aquela época. Além disso,
devido aos baixos investimentos em infra-estrutura, muitos negócios deixaram de
acontecer, contribuindo para um menor dinamismo no setor. Por essa razão, os
créditos mercantis praticamente acompanharam o desempenho do faturamento no
período.

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