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Grandes empresas do comércio vendem mais, porém a rentabilidade das pequenas e médias é maior

16/10/2006

Estudo elaborado pela Serasa, com base nos demonstrativos de cerca de 10.000
empresas de capital aberto e fechado, mostra que desde 2001 até o primeiro
semestre de 2006 houve crescimento real acumulado das vendas, tanto nas grandes
empresas do comércio como nas pequenas, atingindo 44,5% e 10,2%
respectivamente.

Historicamente, as grandes empresas registram taxas de crescimento de vendas
superiores, pois possuem maior facilidade de criar promoções e liquidações, o
que não ocorre nas pequenas e médias, visto que suas estruturas financeiras são
mais frágeis. Por outro lado, a mesma promoção que motiva a elevação do
faturamento, aliado à pressão da concorrência, contribui para reduzir a margem
de lucro nas grandes empresas, o que não ocorre nas pequenas e médias.

De acordo com o levantamento, o faturamento das grandes empresas do comércio
apresentou crescimento real de 8,8% de janeiro a junho de 2006, em relação ao
mesmo período do ano anterior. Em 2005, já havia revelado incremento de 9,4%.
As pequenas e médias empresas, entretanto, apresentaram crescimento díspar ao
longo dos períodos. Após revelar queda real nos anos de 2002 e 2003, as
empresas apresentaram recuperação nos últimos três períodos, atingindo
crescimento médio de 2,7% acima da inflação.

A venda de bens duráveis foi o destaque no período, favorecida pelas
melhores condições de consumo, uma vez que tanto a massa real de rendimento
quanto as condições creditícias mantiveram comportamento positivo. Com isso, os
bens de consumo duráveis continuaram puxando as vendas do setor, enquanto a
alta dos bens de consumo não-duráveis manteve-se moderada.

Dentre os bens duráveis ressalta-se o comércio de veículos e peças, cujas
vendas das grandes empresas cresceram 10,0% no último período e nas pequenas e
médias o crescimento foi de 3,9%, beneficiado pelas menores taxas de juros
cobradas em financiamento deste tipo de bem e pela ampliação do crédito.

Dentre os que apresentaram desempenho abaixo da média está o segmento de
alimentos. As grandes redes de supermercados tiveram um crescimento real de
vendas em 3,5%, puxadas pelas promoções e vendas de outros produtos não
alimentícios, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Já o pequeno varejo,
apresentou um incremento menor, de 1,3%.

Apesar do crescimento no faturamento das grandes empresas situar-se em
patamar superior ao das pequenas e médias, a rentabilidade mostrou
comportamento oposto.

A rentabilidade das grandes empresas apresentou uma mudança de patamar ao
longo dos anos. No período de 2001 a 2003, a média da margem de lucro situou-se
em torno de 1%, enquanto de 2004 até junho/2006, a margem líquida atingiu a
média de 2,2%. Dentre os principais motivos podemos citar o ganho de margem do
setor supermercadista devido à venda de bens com maior valor agregado, o
efetivo aumento da rentabilidade das concessionárias de veículos, que passaram
a dar maior atenção à venda de carros usados, bem como o setor de perfumaria e
cosméticos, que tem registrado margens superiores.

No caso das pequenas e médias empresas, a rentabilidade do período
analisado, passou de 2,0% em 2001, para 3,7% em junho/2006. A melhora das
margens no último período pode ser justificada pela combinação de baixa
variação dos preços no atacado com a elevação dos preços no varejo.

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