Últimas Notícias

Pesquisas Serasa de Perspectiva Empresarial

Perspectiva de menor faturamento e maior inadimplência reduz o otimismo do empresário brasileiro

10/07/2006

A Serasa ouviu 972 empresas representativas dos setores da
indústria, comércio, serviços e instituições financeiras, dos portes pequeno,
médio e grande e das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Caiu o otimismo do empresariado brasileiro em relação aos próprios negócios.
Mais da metade, 54%, esperam crescimento do faturamento, já em março esse
número era de 65%. É o que aponta a pesquisa inédita de perspectiva empresarial
feita pela Serasa entre 05 e 16 de junho, com executivos de todo o país
(presidentes, diretores e economistas chefes). O objetivo é identificar as
principais tendências da economia a partir do levantamento das perspectivas dos
empresários, indo além da confiança desses agentes.

Segundos os técnicos da Serasa, a queda do otimismo em relação à última
pesquisa, realizada em março, é principalmente reflexo de crises setoriais
(agronegócio, empresas exportadoras, entre outras), que contaminam parcialmente
a economia como um todo. Nos aspectos do próprio negócio, os empresários se
mostram mais cautelosos em fechar sua posição para 2006 e ainda apontam o
crédito como o grande alavancador da atividade no ano, mesmo com a
inadimplência em alta.

A pesquisa da Serasa começou a ser desenvolvida em 2005 e apresentou um alto
grau de assertividade. O levantamento estatístico, que é trimestral, conta com
uma amostra de 972 empresas representativas dos setores da indústria, comércio,
serviços e instituições financeiras, dos portes pequeno, médio e grande e das
regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

A pesquisa divulga informações quantitativas sobre variáveis que captam as
perspectivas das empresas sobre as condições macroeconômicas do país (PIB, taxa
de juros e taxa de câmbio), os indicadores de emprego e renda (taxa de
desemprego e renda média da população), a inadimplência e oferta de crédito
geral (grau de inadimplência da população, endividamento da população,
inadimplência no seu negócio, oferta de crédito na visão da indústria, comércio
e serviço e oferta de crédito para pessoa física (PF) e pessoa Jurídica (PJ) na
visão das instituições financeiras), os indicadores do negócio de cada empresa
(faturamento, investimento, preço dos insumos / mercadorias) e as modalidades
de pagamento (à vista e a prazo).

Os resultados retratam a percepção das empresas sobre o ambiente econômico
e podem antecipar eventos que de fato ocorrerão na economia.

Veja os resultados nos 5 blocos da pesquisa:

1º Bloco: Indicadores macroeconômicos

Para a maior parte das empresas (57%), o PIB deverá crescer em 2006 e ainda
mais em 2007, com parcela maior nesta condição (64%). Os mais otimistas estão
entre os segmentos de médio e grande portes, com destaque para as instituições
financeiras. A análise por região aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste
são as menos otimistas para o próximo ano.

A expectativa para a taxa de câmbio do dólar é de recuperação da correção
cambial (desvalorização do real) em 2006.

A percepção de queda na taxa de juros é compartilhada por todos os
segmentos, sobretudo pelas instituições financeiras e empresas do grande porte.
A expectativa é que isso ocorra mais fortemente no terceiro trimestre do
ano.

2º Bloco: Indicadores de emprego e renda

Observa-se que as opiniões ficam divididas entre expectativa de crescimento
e queda da taxa de desemprego no ano, com o mesmo índice de 36% dos
entrevistados, em cada perspectiva.

A indústria e o setor de serviços se igualam ao reunirem o mesmo percentual
de otimistas e pessimistas em relação a taxa de desemprego, 38% e 37%
respectivamente. Os menos otimistas são os empresários da região Sul (44%).

A maior parte dos segmentos analisados, estão fortemente alinhados com a
estabilidade da renda do brasileiro, tanto para o 3º trimestre (45%) quanto
para o ano (43%).

3º Bloco: Inadimplência e oferta de crédito

Em junho, a expectativa de aumento da inadimplência da população subiu. A
maioria dos empresários, 60%, espera crescimento da inadimplência do brasileiro
no ano. Na pesquisa anterior, de março, essa percepção era a de 53% dos
entrevistados. A percepção é mais acentuada na grande empresa, nas regiões
Centro-oeste e Nordeste, com 68%, 68% e 65% respectivamente. Sobre
endividamento da população, a maioria, 74%, aposta em aumento. A percepção é
maior no Centro-oeste (81%), Sul (77%) e entre as grandes empresas (77%).

Porém, quando perguntados sobre a inadimplência no seu próprio negócio a
maioria, 66%, acredita em estabilidade. O percentual de empresários que espera
queda da inadimplência caiu, de 27% em março, para 16% em julho. A elevação
média de inadimplência esperada é de 10,8% em relação ao ano anterior.

Apostam mais na estabilidade da inadimplência este ano, o setor de serviços
e a região Sudeste (cada um com 73%). Os menos otimistas para o próximo
trimestre estão na região Sul.

Para 65% dos setores indústria, comércio e serviços, o crédito geral deve
crescer este ano. A região Sul é a menos otimista. A maioria dos entrevistados
das instituições financeiras, 63%, aposta em crescimento da oferta de crédito
para pessoa física, e, 48% para a pessoa jurídica, em 2006. O aumento médio do
crédito para consumidor esperado para este ano é de 15,9%, e para as empresas,
10%.

4º Bloco: Indicadores do negócio

A expectativa de crescimento no faturamento da empresa apresentou queda. Em
junho, 54% dos entrevistados esperavam alta no fechamento do ano, enquanto que
em março eram 65%. O crescimento médio esperado para o faturamento em 2006 é de
16,1% sobre o ano anterior. Os que aguardam com maior otimismo esta perspectiva
são as empresas de médio porte, 62%, e a região Nordeste (65%). A região
Centro-Oeste é a menos otimista, 24% apostam em queda este ano. O recuo médio
deve ser 21% nessa região em relação ao ano passado.

Faturamento da Indústria (na visão do comércio, serviços e instituição
financeira)

Pouco mais da metade (53%) das empresas de outros setores, ao opinar sobre a
expectativa de faturamento do segmento da indústria, também demonstra otimismo
e aposta em crescimento. Esta percepção é mais acentuada nas empresas de médio
porte e do Nordeste.

Faturamento do Comércio (na visão da indústria, serviços e instituição
financeira)

A perspectiva para o comércio, vista pelos demais setores, também é de
crescimento em 2006, para 64% das empresas. As empresas do Nordeste (76%) são
as mais otimistas e acham que 2006 será um ano favorável para o comércio. A
região Sul é a menos otimista para 2006 (51%).

Faturamento de Serviços (na visão da indústria, comércio e instituição
financeira)

A previsão também é de otimismo, para 54%, com destaque para as instituições
financeiras, que apostam mais fortemente em fechamento do ano em alta
(66%).

Investimento em sua empresa

De modo geral, a expectativa é de que os investimentos mantenham-se
estáveis.

O destaque fica com as instituições financeiras, 51%, que devem aumentar os
investimentos ao longo do ano, na média de 15,2% sobre 2005.

As empresas das regiões Sul e Nordeste, ambas 61%, também apontam
crescimento para o final do ano. Na análise por porte, quase a metade (48%) das
médias e grandes empresas são as que possuem maior intenção de investimento
este ano.

5º Bloco: Modalidades de pagamento

De modo geral, a composição das vendas à vista e a prazo hoje está na
proporção de 28% para 72% respectivamente.

No setor indústria, a composição das formas de pagamento varia
significativamente e trabalha com a proporção de 17% e 83%. A composição das
formas de pagamento não deve se alterar no trimestre e no fechamento do ano,
variando em torno de 1 ponto percentual.

  • 2017 Serasa Experian. Todos os direitos reservados.