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Estudos de Inadimplência

Fevereiro registra alta no volume de cheques sem fundos, revela estudo da Serasa

16/03/2006

O aumento também foi observado no primeiro bimestre deste ano e na
comparação com janeiro.

Estudo nacional da Serasa aponta que o volume de cheques
devolvidos por falta de fundos a cada mil compensados aumentou 27,2% em
fevereiro de 2006, na comparação com fevereiro de 2005. No segundo mês deste
ano foram devolvidos 20,1 cheques sem fundos a cada mil compensados, enquanto
em fevereiro do ano passado houve 15,8 cheques devolvidos por mil
compensados.

De um total de 124,1 milhões de cheques compensados em fevereiro de 2006, em
todo o Brasil, 2,5 milhões foram devolvidos duas vezes por falta de fundos, de
acordo com o estudo mensal da Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas,
informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e
negócios. Em fevereiro de 2005, haviam sido compensados 153,8 milhões de
cheques, e devolvidos, 2,4 milhões, no país.

Na comparação mensal (fevereiro de 2006 em relação a janeiro de 2006), o
aumento no volume de cheques sem fundos a cada mil compensados foi de 5,8%. Em
janeiro deste ano, foram devolvidos 3,0 milhões de cheques, de um total de
157,4 milhões de compensados, o que representou 19,0 cheques devolvidos por
falta de fundos a cada mil compensados.

O número de fevereiro está ligeiramente abaixo do recorde de março de 2005
(20,8 cheques devolvidos a cada mil compensados) e de novembro de 2005 (20,6
cheques devolvidos a cada mil compensados) e iguala o número de dezembro de
2005.

No bimestre

O primeiro bimestre de 2006 também registrou alta no volume de cheques
devolvidos a cada mil compensados, quando comparado aos dois primeiros meses de
2005. O aumento no período foi de 25,8%, sendo que em janeiro e fevereiro deste
ano foram devolvidos 19,5 cheques sem fundos a cada mil compensados, e no
primeiro bimestre de 2005, houve 15,5 devolvidos por mil compensados.

De acordo com o levantamento, nos dois primeiros meses deste ano, em todo o
país, 281,5 milhões de cheques foram compensados, sendo 5,5 milhões devolvidos
por insuficiência de fundos. No primeiro bimestre de 2005, o total de cheques
compensados havia sido 321,8 milhões, e o de devolvidos, 5,0
milhões.

Argumentação

Para os técnicos da Serasa, o crescimento do número de cheques devolvidos
está relacionado ao maior comprometimento da renda dos consumidores com os
compromissos tradicionais de início de ano, como pagamento do IPTU, IPVA,
matrículas, compra de material escolar, além do maior endividamento da
população devido à expansão do volume de crédito concedido, sobretudo no final
de 2005, aliado às altas taxas de juros praticadas.

Os técnicos destacam, no entanto, que apesar da inadimplência com cheques
registrada em fevereiro estar alta, a série histórica desse meio de pagamento
ainda é baixa em relação ao mercado, pois 20,1 cheques devolvidos a cada mil
compensados significa 2,01%.

Outro fator importante que contribuiu para este comportamento de alta foi a
aceitação de cheques pré-datados sem o uso de metodologia adequada para a
análise de crédito e o gerenciamento do risco de inadimplência.

“Quando o pagamento é à vista qualquer meio de pagamento é bom, mas quando é
a prazo o que conta é metodologia”, afirma o presidente da Serasa, Elcio Anibal
de Lucca.

O presidente destaca que para reduzir o risco das operações de crédito, em
especial na aceitação de cheques pré-datados, e contribuir para uma queda nos
indicadores de inadimplência, é necessário que as empresas adotem práticas
adequadas na concessão de crédito. Entre as principais práticas, podem ser
destacadas a definição de políticas de crédito, compatíveis com a conjuntura e
o segmento de atuação da empresa, e a monitoração contínua do risco da carteira
de clientes.

A aprovação do projeto de lei que trata do cadastro positivo sobre o
crédito, em 2006, irá aumentar a segurança do crédito e, portanto, reduzir seus
custos e ampliar os recursos e sua abrangência tanto para pessoa física quanto
para jurídica, com impactos para a queda dos indicadores de inadimplência e
insolvência.

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