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Estudos Econômicos

Crescimento dos negócios e lucros estáveis viabilizaram investimentos em 2004

25/04/2005

Estudo elaborado pela Serasa revelou que o crescimento dos negócios, aliado
aos lucros estáveis, viabilizou a realização de maiores investimentos em ativos
fixos em 2004. A base do estudo é uma amostra de 1.500 demonstrativos contábeis
de empresas brasileiras cadastrados na base de dados da empresa até fevereiro
último.

Para a elaboração do estudo foram utilizados demonstrativos tanto de
empresas de capital aberto como de capital fechado, de grande, médio e pequenos
portes, dos três setores da economia, indústria, comércio e serviços, com uma
amostra de 500 demonstrativos de cada um.

Passadas as incertezas do período eleitoral (final de 2002), a economia
brasileira começou a apresentar sinais de melhora, que vem se estendendo até os
dias atuais. Nesse contexto, as empresas do estudo, cujo faturamento de 2003 já
havia evoluído 2,1% em relação a 2002, apresentaram evolução em 2004 da ordem
de 8,2% em relação a 2003, motivada pela ampliação dos negócios no ano.

A rentabilidade que se manteve estável, em torno de 9,5% em 2003 e 2004,
apresentou crescimento, se comparada a 2002, quando o câmbio elevado e os juros
altos comprometeram os resultados. Mesmo com o endividamento em queda, o volume
de investimentos em ativos fixos, tais como máquinas, equipamentos, novas
tecnologias e automação, passou a representar 5,3% do faturamento de 2004, ante
3,2% em 2003, apresentando crescimento de 80% em 2004.

Quando analisados isoladamente, cada um dos setores apresentou desempenho
distinto. O comércio é o segmento que apresentou o maior crescimento no
faturamento em função da realização de mais negócios no último período, sendo
que a evolução do faturamento, que apresentou queda de 0,8% em 2003 sobre 2002,
teve um crescimento de 9,7% em 2004 sobre 2003. Este desempenho está fortemente
influenciado pelos segmentos de produtos alimentícios e bebidas, que foram
beneficiados pela melhora no nível de emprego, principalmente a partir do
segundo semestre do ano, fato que também influenciou o comércio de veículos e
peças, cuja evolução das vendas contou ainda com a maior disponibilidade de
crédito e lançamento dos modelos bicombustível. Mesmo com a melhora no nível de
emprego, a renda ainda continuou comprimida e, dessa forma, a margem obtida não
apresentou incremento significativo, visto que o comércio não teve espaço para
expansão de preços. O comércio foi o segmento que apresentou o menor volume
investido, em média 1,3% em relação ao faturamento nestes dois últimos anos,
tendo queda de 1% no volume investido em 2004 contra o investido em 2003.

A indústria foi o único segmento da amostra que experimentou crescimento de
faturamento de 9% em 2004, contra 4,6% em 2003, e ainda obteve a maior
rentabilidade, passando de 7,2%, em 2002, para 11,4%, em média, nos dois
últimos anos. Com uma geração de lucro 58% superior, foi possível proporcionar
uma redução significativa no endividamento, passando de 140% do patrimônio
líquido, em 2002, para 106% em 2004 e, ainda, ampliar os investimentos em
ativos fixos, que eram equivalentes a 3,1% do faturamento em 2003 e passaram
para 5,5% em 2004, mostrando crescimento de 93% em 2004.

Os resultados da indústria foram fortemente influenciados pelo setor químico
e petroquímico, em função do aumento da demanda interna, incremento das
exportações e equiparação dos preços internos aos praticados no mercado
internacional, e pelo setor de industrialização de carnes e pescados, que foi
beneficiado pelo câmbio favorável no primeiro semestre de 2004 e pela alta das
cotações da carne no mercado internacional, favorecendo as exportações.

O setor de serviços apresentou o maior volume de investimentos em ativos
fixos no período, que eqüivalia a 5,1% do faturamento em 2003 e passou para
8,5% do faturamento de 2004, crescendo 76% no ano. Este desempenho foi
fortemente impactado pelo setor de telefonia celular, o qual direcionou
recursos para a implantação das redes GSM, e para a migração de tecnologia TDMA
para GSM, além da construção de novas unidades de transmissão para a ampliação
da rede de cobertura; e pelo setor de distribuição de energia elétrica, que
investiu na aquisição de equipamentos e realização de obras de expansão e
melhoria da rede de distribuição de energia.

A rentabilidade também apresentou crescimento significativo, saindo de 3,7%
em 2002 e atingindo 10,6% em 2004, e o faturamento cresceu 4,7% em 2004, após
ter apresentado queda de 2,6% em 2003. A expansão dos investimentos refletiu na
manutenção do nível de endividamento, que permaneceu no patamar de 120%
patrimônio líquido.

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