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Inadimplência no governo Lula cresce 10,9%, contra 55,2% dos 2 anos anteriores

23/02/2005

O Indicador Serasa de Inadimplência, o único a incluir os registros de
cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos, cartões
de crédito e financeiras, revela que a inadimplência total (pessoa física e
jurídica) apresentou aumento de 10,9% no período de janeiro de 2003 a dezembro
de 2004, os dois primeiros anos do governo Lula, sinalizando queda do ritmo de
crescimento se comparado com o período de 2001 a 2002, que registrou elevação
de 55,2%.

Segundo a Serasa, o indicador de inadimplência da pessoa jurídica mostrou
crescimento de 3,2% nos 2 primeiros anos do governo Lula, muito inferior aos
30% registrados em 2001/2002, época em que o país apresentou uma queda no nível
de atividade devido ao racionamento de energia, em 2001, e ao temor do risco
político durante as eleições presidenciais de 2002.

Essa melhora no indicador, nos 2 primeiros anos do governo Lula, pode ser
justificada pela realização de novos negócios, motivados, principalmente, pelo
desempenho do setor exportador, em especial o agronegócio. Tais negócios
propiciaram a geração de recursos que, por sua vez, possibilitaram às empresas
administrar o orçamento de modo mais equilibrado e realizar o pagamento de seus
compromissos. As empresas exportadoras souberam aproveitar o momento e
aumentaram seu nível de atividade, causando uma reação em cadeia na economia,
inicialmente atingindo seus parceiros diretos e, em um segundo momento,
alcançando outros setores da economia.

No caso da pessoa física, o indicador apontou maior crescimento. Nos 2 anos
do governo Lula, a inadimplência de pessoa física cresceu 15,2%, mas ficou bem
abaixo quando comparado com o biênio anterior, 2001/2002, que cresceu 57,7%
nesse período, o crescimento da inadimplência foi ocasionado pelo elevado
patamar da taxa de desemprego, pela queda da renda média real dos trabalhadores
e pela elevada taxa de juros.

De acordo com o estudo, os títulos protestados tiveram a maior
representatividade na inadimplência de empresas no período 2003/2004, com uma
participação de 46,5% – inferior aos 48,5% registrados nos dois anos
anteriores. O segundo índice na representatividade é o de cheques sem fundos,
que se manteve praticamente estável: 38%, em 2001/2002, e 37,5% em
2003/2004.

Ainda segundo o estudo, os cheques sem fundos tiveram a maior
representatividade na inadimplência de consumidores nos períodos analisados.
Nos dois anos do governo Lula, os cheques devolvidos representaram 35,5% do
total do indicador de pessoa física. O percentual é menor do que o do biênio
anterior, que registrou 39,5%.

O segundo maior índice na representatividade é o registro de inadimplência
de cartões de crédito e financeiras, que no biênio 2003/2004 teve participação
de 33,5%, ligeiramente superior à registrada em 2001/2002, que foi de 33%. As
dívidas com os bancos apresentaram a terceira maior participação no indicador,
com 29% contra 25% dos anos anteriores. A menor representatividade, no
indicador de inadimplência, fica com os títulos protestados, que corresponderam
a 2% em 2003/2004, e 2,5% em 2001/2002.

Dentre os fatores que influenciaram para que o crescimento da inadimplência
fosse maior nas pessoas físicas do que nas empresas destaca-se o descompasso
ocorrido na difusão do processo de recuperação da atividade econômica, pois o
crescimento atingiu primeiro as empresas que, posteriormente, incorporaram mais
empregados ao mercado de trabalho. Apesar do crescimento econômico em 2004 ter
proporcionado aumento da massa salarial, não permitiu recuperar o poder
aquisitivo, uma vez que a renda média real ficou em torno de R$ 908, durante o
ano de 2004, contra R$ 1041 em 2002. A falta de um adequado planejamento
orçamentário pelos consumidores, bem como a ausência de uma metodologia
apropriada, notadamente nas médias e pequenas empresas, para concessão de
crédito e administração da carteira de clientes, também contribuíram para os
resultados verificados.

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